Carlos Adriano de Almeida Paiva
- Educação Sistemática
- A primeira regra de qualquer tecnologia utilizada nos negócios é que a automação aplicada a uma operação eficiente aumentará a eficiência. A segunda é que a automação aplicada a uma operação ineficiente aumentará a ineficiência.” Bill Gates
quinta-feira, 3 de maio de 2012
artigo 01
A relação entre tecnologia e educação básica é permeada de grandes projetos e grandes decepções. Em nenhuma outra área da educação, passamos da euforia ao desapontamento em tão pouco tempo. Basta que uma reportagem ou programa de governo aponte os potenciais transformadores de um novo dispositivo, para que em alguns poucos anos, novas investigações solicitem prudência e cautela. É um ciclo que se repete há décadas. Desde a década de 1990, acompanhamos a promoção da criação de laboratórios de computadores em escolas públicas. Desde então, colecionamos histórias que relatam que os equipamentos chegam ao seu destino, mas ficam meses em suas caixas, por falta de infraestrutura, falta de apoio técnico, entraves políticos, entre outros fatores. A pergunta que fica, então, é: por que investimos tantos recursos orçamentários em grandes projetos de integração de tecnologia na educação básica se temos alcançado tão poucos resultados sistemáticos? As razões são várias 1, mas ressalto aqui três elementos, a partir da experiência brasileira. Antes, porém, algumas considerações.
Tomando como ponto de partida o tema desta edição da ComCiência e para efeito de argumentação, vou dividir a tecnologia educacional em tecnologia simples e complexa. Denomino de tecnologia simples a tecnologia como dispositivo: são os computadores, celulares, calculadoras e outros equipamentos utilizados por muitas pessoas no cotidiano. A tecnologia complexa, por sua vez, compreende todo o sistema de pessoas e recursos que se reúnem ao longo do tempo para que os dispositivos cheguem às mãos dos usuários, aliados às relações e condições que os sustentam.
Seguindo uma tendência mundial, o governo brasileiro investe crescentemente na integração de tecnologias em escolas públicas. Programas como Proinfo e TV Escola contemplam não somente infraestrutura e equipamentos, mas também formação de professores, gestores e produção de recursos didáticos. Felizmente, não há mais a noção pueril de que a simples entrega de computadores à escola vai transformar a prática escolar. Os investimentos de grande porte na educação básica são feitos na perspectiva de uma tecnologia complexa. Um exemplo mais recente é o programa UCA – Um Computador por Aluno –, que contemplou a compra de seiscentos mil laptops para uso em escolas públicas (Pregão 57/2010). Já temos na linha do horizonte o programa UTA – Um Tablet por Aluno –, pegando carona nos incentivos fiscais a empresas produtoras de tablets no Brasil. Outros projetos de grande porte acontecem por iniciativa de governos estaduais e municipais.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário